
O Projeto Aratinga começa com outro pássaro, o soldadinho-do-araripe. A espécie endêmica do Ceará, que corre risco de extinção, foi o ponto de partida que nos fez querer entender melhor a fauna cearense. Ao longo da nossa jornada de apuração, outras espécies entraram no nosso radar e nos deram um panorama sobre as condições dos animais, como é o caso do peixe-boi-marinho, do periquito cara-suja e da jandaia-verdadeira, ou Aratinga jandaya, ave símbolo do Estado.
Não demorou e nos deparamos com problemáticas, pesquisas, iniciativas, legislações e pessoas que integram o universo complexo do meio ambiente cearense. Diante de tamanha possibilidade de assuntos e de recortes para nosso especial, elegemos três eixos para dar forma ao nosso trabalho e orientar nossa apuração. Eles são: preservação (espécies ameaçadas e animais invasores), proteção (caça e tráfico) e conservação (unidades de conservação).
Trabalhando com jornalismo ambiental, não podemos deixar de lado a questão basilar que é a educação ambiental. Por isso, tivemos a preocupação de abordar essas questões na nossa apuração e de incluir nos materiais finais feitos pela equipe.
O processo de apuração para o Projeto Aratinga durou sete meses, feito, em sua maioria, durante o período de greve das instituições federais de ensino. Esse processo incluiu pesquisas, entrevistas com especialistas e personagens, contato com fontes oficiais e visitas a locais estratégicos.
Visitamos pontos distintos da unidade de conservação Parque Estadual do Cocó, como as comunidades tradicionais Boca da Barra e Casa de Farinha, além do Parque Adahil Barreto e do ponto mais conhecido, localizado na Avenida Padre Antônio Tomás. A sede da ONG Aquasis e a Reserva Natural Serra das Almas, outra unidade de conservação, também participaram do nosso roteiro de externas. Esses locais foram escolhidos pela relevância e pelo que representam, seja pelo ambiente natural ou pelo trabalho desenvolvido. Mas não só os locais foram determinantes para a decisão de realizar as visitas, eles foram locais para entrevistas com algumas das fontes de maior relevância e participação para o trabalho.
Outros locais foram visitados como parte do processo de entrevista, como a Câmara Municipal de Fortaleza, a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) no Ceará e a Clínica Bicho do Mato. Entrevistas realizadas virtualmente também ocorreram, justificadas pela distância ou disponibilidade dos entrevistados, é o caso do biólogo Weber Girão, que reside na região da chapada do Araripe, e da advogada Beatriz Azevedo.
Durante a produção, percebemos que o universo de fontes para falar de conservação, além de ser pequeno, não é diverso, de modo que o mais comum foi encontrar homens e pessoas brancas como especialistas. Sentimos falta da presença de mais mulheres nesses espaços. Pessoas negras e indígenas também aparecem pouco, sendo mais frequentes como personagens. Apesar dos nossos esforços para ter a maior quantidade de interseccionalidade possível, dentre mais de trinta fontes, apenas duas mulheres negras foram entrevistadas e todas as fontes eram cisgênero. Esperamos que a realidade mude e, caso você esteja lendo isso daqui a alguns anos, as fontes especializadas da área sejam mais diversas.
De forma geral, houve um acesso fácil às fontes de informação, que foram solícitas e prestativas nas entrevistas e no compartilhamento de outras fontes de informação, como estudos e sites de pesquisa. Os personagens também foram acessíveis.
O acesso também foi fácil a instituições e órgãos públicos como a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA) e o Batalhão de Policiamento de Meio Ambiente (BPMA). Entretanto, o mesmo não ocorreu com a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (SEUMA) de Fortaleza. Ao longo de todo o processo de apuração, a assessoria de comunicação do órgão municipal não deu respostas positivas às solicitações de entrevista e, nos últimos meses, não retornou as nossas tentativas de contato.
Deixamos linkados abaixo, matérias relacionadas ao tema para aprofundamento do leitor. Também abrimos acesso para nossa pasta no Drive com todos os materiais apurados para a construção das reportagens.